Pinheirinho, Dilma e Alckmin
Neste domingo participei do ato público e passeata em favor dos moradores de Pinheirinho, comunidade pobre de S. José dos Campos, que foi expulsa de seus lares pela PM para restaurar a propriedade (bastante questionável) do mega-especulador Naji Nahas.
Naji Nahas deve mais de R$ 15 milhões à prefeitura de SJC. Mas o prefeito da cidade, do PSDB, não dá importância a isso. Afinal, ele é a favor do Estado mínimo. E da propriedade privada, a qualquer custo. Pouco importa se a Constituição diz que a propriedade deve ter, sempre, função social, e a esta função deve ser subordinada. Importa aos demotucanos defender a elite, contra os pobres.
A PM usou de muita violência na desocupação. Há fotos de soldados portando revólveres e usando luvas de borracha. Por que? Para não deixar impressões digitais nas armas ou resíduos de pólvora nas mãos? Não se sabe se ocorreram mortes, pois a imprensa é proibida de entrar no campo de concentração construído pela PM. Exceto a Globo, que a PM e o PSDB consideram "confiáveis", pois a emissora já tomou partido contra os moradores e a favor da desocupação.
Essa aberração que foi a expulsão de moradores ao estilo nazista ganhou repercussão internacional. Por exemplo, a revista "The Guardian", diz:
(…) Até sete mortes foram relatadas, incluindo a de um bebê, embora nenhuma delas tenha sido confirmada oficialmente (…) Durante todo o dia [ domingo], a mídia corporativa do Brasil, que tem ligações históricas com o partido no poder estadual, relatou a história em tons suaves. As manchetes destacavam a van de uma TV que fora incendiada enquanto ignoravam as casas em chamas da população (…) Em lugares como Irã e Egito, a mídia social tem funcionado como uma ferramenta contra o controle estatal da informação. No Brasil, tem ajudado a contornar um monolítico setor de mídia privada, que é sub-regulamentada e altamente concentrada (90% da indústria está nas mãos de 15 famílias). Como outros meios de produção e circulação de informação tornaram-se mais facilmente disponíveis, a mídia corporativa do país começou a perder credibilidade. Os meios alternativos foram veementes em sua condenação do Governo do Estado de São Paulo no último domingo, e com razão (…) - tradução do Eduardo Guimarães, do Blog Cidadania.
A justiça estadual se colocou contra a decisão da justiça federal, que concedeu liminar suspendendo a desocupação.
Essa tragédia inominável põe às claras quem é quem na radicalização. A justiça estadual, como mostrou o blog
Tijolaço, desafiou até mesmo a Polícia Federal. O Tribunal de Justiça de São Paulo chegou a emitir ordem de enfrentamento à decisão da Justiça Federal que vigia, durante o dia, para repelir “qualquer óbice que venha a surgir no curso da execução, inclusive a oposição de corporação policial federal”.
Alckmin foi o mentor de toda a operação, enquanto fingia negociar com deputados do PT e do PSOL e com o senador Eduardo Suplicy.
O Governo Federal falhou por omissão e tibieza. Deveria ter pressionado muito antes o governo do estado de SP. Ministros deveriam ter se pronunciado antes. Mas só agora, após o fato consumado, a Secretária de Direitos Humanos da Presidência da República, Maria do Rosário, lançou uma nota, assim como o Ministério das Cidades e outros órgãos federais. Mas lançar notas não devolve a moradia aos que foram jogados na rua com seus pertences.
O que vimos foi uma atitude nazista bem estruturada por parte dos demotucanos. Estavam articulados com juízes amigos, contaram com a PM de SP, uma das que mais mata em todo o Brasil. E o Governo Federal desarticulado, com parlamentares do PT tentando, por conta própria, fazer alguma coisa, mas o partido como um todo está alheio ao caso.
Recentemente a presidenta Dilma disse que as divergências entre os partidos existiam apenas em época eleitoral e que, passadas as eleições, todos estavam unidos e trabalhando harmoniosamente pelo bem do povo brasileiro.
Alguém precisa avisar a presidenta que a luta de classes existe e que o PSDB representa os banqueiros e especuladores de todas as laias.
Já que o Governo Federal falhou miseravelmente em defender os moradores de Pinheirinho ANTES que perdessem suas casas, construídas com muito sacrifício, então agora, pelo menos, há que se alocar verba emergencial para que eles tenham onde morar. Se há verba emergencial para tragédias provocadas pela Natureza, tem que haver também verba para tragédias causadas pela ganância dos Naji Nahas e de seus amigos no PSDB.
Se acontecer o pior e essa verba não vier, será porque o Governo Federal quer evitar "polemizar" com Alckmin. E se assim for, saberemos que o PT deu mais um passo em sua trajetória para a direita.