terça-feira, 16 de abril de 2013

A direita não descansa

Nova tentativa de golpe na Venezuela



Reproduzo comentário de Eliseu Leão neste post do Blog Cidadania:


Fonte: http://www.counterpunch.org/2013/04/12/thatcher-is-dead-long-live-chavez/


(…) 

Embora haja uma espécie de vingança histórica no fato de que essa eleição se realize no dia do aniversário da volta triunfante de Chávez, não podemos deixar que o triunfalismo nos impeça de ver os   abutres que voam sobre a democracia socialista da Venezuela. A imprensa-empresa internacional está mobilizada para desacreditar o sistema eleitoral venezuelano, e setores da oposição já começaram a manobrar, sugerindo que algo poderá acontecer.[8]




Na 2ª-feira à noite, circularam notícias de que um acampamento de militantes da extrema direita, da JAVU (Juventude Ativa da Venezuela Unida), que estão em greve de fome, teriam sido atacados por grupos de ‘camisas vermelhas’, em motocicletas, rapidamente ‘identificados’ como “Chavistas”. Para muitos, a ‘armação’ é evidente, dado que os chavistas nada teriam a ganhar com esse tipo de ação, às vésperas das eleições. E a polícia de Chacao, controlada pela oposição, não interveio.[9]



Pelo que já se sabe, havia chavistas de Chacao[10] envolvidos no tumulto, mas foram atacados por militantes da JAVU. O que explica, automaticamente, o motivo pelo qual a polícia local nada fez para interromper o ataque: por que intervir, se o seu próprio lado está atacando?


Esse tipo de ataque exibe todas as características típicas de ações da JAVU, organização que, ao mesmo tempo em que fala em nome da não violência estratégica, como a Albert Einstein Institution, tem longo passado de ações violentas (associada a um grupo de exilados, com base em Miami, o grupo Orvex[11]). A JAVU sempre esteve associada a ataques violentos, de provocação, em toda a Venezuela, desde ataque a chavistas em Mérida, até uma tentativa de incendiar o Conselho Legislativo do estado de Miranda. Em Mérida, encontrou-se um smartphone no qual estava gravado o manual das ações da JAVU para os dias seguintes: não reconhecer os resultados eleitorais e “tomar as ruas custe o que custar”.[12]



Na 4ª-feira apareceram notícias ainda mais preocupantes. Primeiro, o próprio Capriles recusou-se publicamente a assinar documento no qual prometia respeitar os resultados das eleições,[13] insistindo que se mudasse a redação, para categoria mais flexível: aceitaria assinar, se o documento falasse de respeitar “o desejo popular”. Dado que Capriles já assinara documento semelhante antes das eleições de 2012, é caso para pensar por que teria mudado, agora, a própria estratégia. A recusa preocupa, porque foi imediatamente associada ao texto divulgado de um telefonema, no qual um dos guarda-costas pessoais de Capriles[14] diz que o candidato da oposição não reconhecerá a derrota – fato que, ironicamente, mostra que nem o guarda-costas de Capriles sonha com vitória eleitoral.



Não há dúvidas de que tudo sugere fortemente que um governo Maduro terá de enfrentar tentativa pós-eleitoral de golpe. Outro telefonema também vazado sugere que há esquadrões da morte, vindos de El Salvador, que planejam ataques durante a eleição, e que parecem ter laços diretos com o próprio Capriles.[15] Foram presas 17 pessoas, acusadas de tentar sabotar redes elétricas, para provocar blecautes. Se se considera que até o governo Obama já disse que suspeita de que as eleições na Venezuela não sejam “limpas e transparentes”, todos esses são sinais preocupantes, para dizer o mínimo.
————
[8] http://www.counterpunch.org/2012/09/28/the-election-that-matters/
[9] http://venezuelanalysis.com/news/8559
[10] http://www.youtube.com/watch?feature=player_embedded&v=SqZc8oAhwwA#%21
[11] http://laiguana.tv/noticias/2013/01/16/3361/JAVU-NO-RECONOCE-A-MADURO-PERO-QUE-ES-JAVU.html
[12] http://laiguana.tv/noticias/2013/04/10/4948/SE-ENCONTRARON-EN-MERIDA-TERRIBLES-DOCUMENTOS-DEL-NUEVO-PLAN-DE-JAVU.html
[13] http://venezuelanalysis.com/news/8563
[14] http://www.aporrea.org/actualidad/n226577.html
[15] http://venezuelanalysis.com/news/8575


sexta-feira, 29 de março de 2013

falsificações capitalistas

Afinal, o que é "a economia"?

site dessa imagem aqui
1) Recentemente, um ministro japonês disse que "os idosos devem se apressar a morrer". Segundo esse nobre ministro, os idosos prejudicam a economia ao insistirem em continuar vivos.


2) O falecido ditador brasileiro Médici disse uma frase que ficou famosa: "O Brasil vai bem, mas o povo vai mal".


3) O colunista polaco Waldemar Kompala, falando sobre a crise grega, disse, em resposta ao filósofo Zlavoj Zizek: "Enquanto a crise durar, a União Europeia deve ser gerida com eficácia, mesmo não democraticamente."


4) O economista Alexandre Schwartsman, ex-diretor do Banco Central nos tempos de FHC, disse que é preciso aumentar o desemprego para reduzir a inflação. "É demitir mesmo", afirmou ele. Sua colega de banco, Ilan Goldfajn, concorda: "não dá pra fazer omelete sem quebrar os ovos", diz ela, usando uma típica frase da extrema-direita estadunidense.


Lendo essas opiniões de economistas e políticos, fica-nos uma pergunta: para essa gente, o que é "a economia"? Como é que o Brasil podia ir bem e, ao mesmo tempo, o povo brasileiro ir mal? Por que os idosos atrapalham a economia japonesa, a ponto de o ministro pedir a eles para morrer logo?

A resposta é que o capitalismo, nesta fase de degenerescência, é incompatível com o bem-estar da humanidade. É preciso que a humanidade dê um salto para o futuro, deixando para trás essa casca anquilosada e mofada que chamamos de capitalismo. Ou isso ou o futuro da espécie humana corre perigo.

Para a direita, o povo é um estorvo que atrapalha o bom andamento da economia. Para eles, a "economia" é um ente apartado da população, um ente que tem vida própria. Naturalmente, não é possível ao capitalismo sobreviver sem povo, pois são os trabalhadores que produzem as riquezas, e também são eles que compram essa riqueza transformada em mercadoria. Mas se os capitalistas pudessem eliminar os trabalhadores e substituírem-nos por robôs, eles o fariam. Aliás, ESTÃO FAZENDO.

Os governos de centro-esquerda da América Latina estão conseguindo, ainda dentro dos marcos do capitalismo, distribuir renda e prover justiça social para a população. Mas isso é uma configuração provisória, que tem prazo de validade curto. É inevitável que o império estadunidense e o sistema financeiro internacional tentem destruir as conquistas que os povos de Nuestra America fizeram na última década.

segunda-feira, 14 de janeiro de 2013

ser ou não ser político

Mobilizar-se é Preciso


Este post é, em parte, comentário ao excelente post do Blog da Cidadania que você pode ler aqui. O assunto em pauta é a manifestação contra Lula de 20 gatos pingados na Av. Paulista, ontem.


Eduardo, este post está excelente!! Ficamos todos "tirando um sarro" dos vinte da Paulista, mas não olhamos o outro lado.

Claro que, no caso da manifestação de ontem, houve um erro gravíssimo: falta de foco. Era um protesto contra "tudo isso que está aí". De cara, já esvaziaram a motivação. Qual era o objetivo? Que Lula renunciasse ao "cargo" de ex-presidente?

Mas, a verdade é que, como você bem colocou, a direita deu duro para fazer uma lavagem e enxaguagem cerebral nas pessoas, no sentido de demonizar a política e os políticos. Esse preconceito vem sendo inculcado em nós há, pelo menos, quatro décadas, talvez mais. Isso inclui programas humorísticos (os que têm mais de 40 há de se lembrar de Justo Veríssimo, personagem de Chico Anísio), piadas, noticiário de jornais, revistas e TVs, novelas, gibis, livros e teses acadêmicas.

Fomos treinados como ratos de laboratório. A meta era afastar o cidadão da política - coisa "suja" - para que as elites ficassem à vontade para decidir os rumos da Nação. Isso deu certo em alguns países. Por exemplo: Brasil e EUA. O cineasta de esquerda Michael Moore, discursando para os militantes do Occupy Wall Street, disparou: "nao deixem que políticos interfiram neste movimento". Por que não? O movimento Occupy é um movimento POLÍTICO, ora essa!! Mas a lavagem / enxaguagem cerebral é danada: ela gruda na mente como uma craca gruda no costado do navio.

Como combater isso? Bom, em primeiro lugar deveríamos ter uma comunicação social melhor. Não temos bons canais de TV ou rádio, por exemplo. As TVs abertas (públicas ou privadas) deixam muito a desejar. Quando muito temos uma Blogosfera Progressista que, conectada às redes sociais, leva a discussão política a uma parcela da população, a parcela mais "antenada".

É preciso que os movimentos sociais, a Blogosfera, as organizações da sociedade, os sindicatos e partidos façam um paciente trabalho de conscientização, explicando às pessoas que não há como não ser político. Estando ou não num partido, lutando ou não por uma causa, tudo é uma opção política. Inclusive a péssima escolha de quem diz que não "mexe" com política. Afinal, a política "mexe" com nosso bolso, nosso emprego, com o valor maior ou menor da tarifa de energia, com os juros bancários que pagamos, com o preço do pão. 

PS.: ainda sobre o assunto, há este post do jornalista Rodrigo Vianna, diretamente da Venezuela, mostrando como a população do país está mobilizada e consciente (seja a favor ou contra o Governo) e sai às ruas para defender suas ideias.


terça-feira, 8 de janeiro de 2013

Até a Fiesp...

FIESP enfrenta o PSDB


Coloco aqui um vídeo do portal Terra. Trata-se de uma entrevista com o diretor de infraestrutura da Fiesp. Ele faz duras críticas ao governador Alckmin e ao PSDB. Como, por exemplo:


"O secretário [José Aníbal] está mentindo".
"Os padrões de pedágio em São Paulo são dos maiores do mundo e um dia vão ter que 
mudar".
"O governador está jogando contra a população de SP".
"A população tem um direito que estavam querendo sequestrar na calada da noite."
"A presidenta foi muito corajosa".
"Ele [Alckmin] pensa como um acionista da CESP".
"A gente fica com vergonha do governo [estadual] que tem".

Veja o vídeo demolidor:



domingo, 6 de janeiro de 2013

A Revolução Não Será Televisionada




Encontrei esse sensacional vídeo neste endereço.


domingo, 2 de dezembro de 2012

Luta de classes

O PT posto à prova



Fiz comentário nesta postagem do site VioMundo. Ficou interessante, então o transformo em postagem aqui.

Parece contraditório, não é, Mário? Se o PT tornou-se um partido centrista, por que a direita quer apeá-lo do poder? Se Dilma quer fortalecer o mercado interno, beneficiando assim a indústria, o comércio e os serviços, por que boa parte dos empresários da indústria, do comércio e de serviços nutre ódio doentio contra Lula, Dilma e o PT?
Aliás, é mais contraditório ainda: a guinada do PT à direita foi proposta e foi capitaneada por José Dirceu. E logo ele está sendo linchado por Joaquim Batman e sua trupe midiática a serviço da elite!!

Um partido como o PT é muito mais do que a ideologia de seus dirigentes. Lula é um líder operário. O PT não nasceu em Brasília. É um partido de origem operária. O PT, mesmo com suas alianças inacreditáveis (com Maluf, por exemplo), está do lado de cá. Por mais que Dilma conceda entrevistas exclusivas à Veja - órgão oficial da quadrilha de Cachoeira - por mais que Dilma vá fazer omeletes na Globo - a TV oficial da ditadura militar - o PT, na luta de classes, representa os trabalhadores. A direita, instintivamente, sabe disso.
  
Mesmo com todo seu centrismo, o PT se recusa a aplicar aqui a política econômica preconizada pelo FMI. A mesma política econômica que está sendo aplicada na Europa. Essa atitude do PT é inaceitável para a direita.
  
Quais são os organismos que representam essa direita? São o PIG (Globo, Folha, Veja, Estadão e outros menores), a trupe do Joaquim, o prevaricador Gurgel e, subsidiariamente, os partidos como PSDB, Dem, PSOL, PDT, etc.
  
Qual a classe social que está por trás da direita? Banqueiros, especuladores e grandes latifundiários. E, claro, parte da classe média otária cuja ideologia foi moldada pelo PIG, incluindo-se aí pequenos empresários da indústria, comércio e serviços. Mas essa classe méida otária só conta para fazer propaganda contra Lula e angariar votos. Mas a direita é, essencialmente, o capital financeiro. Follow the money, como dizem os estadunidenses.
Mas, afinal, por que a direita quer aplicar aqui a privataria, extinção de programas sociais, redução de investimentos estatais e supressão de direitos trabalhistas, se são justamente essas medidas que estão afundando a Europa? Bem, nem toda a Europa está afundando: os banqueiros e especuladores estão ganhando muito dinheiro com os pacotes de ajuda do Banco Mundial e do FMI. Enquanto isso, o povo europeu come o pão que o deus-mercado amassou. Ou nem isso...
  
Empresários mais espertos como Eike Batista, Emílio Odebrecht e Abílio Diniz apoiam o Governo Dilma, como apoiaram Lula, ainda que discretamente. É um forte indício de que grande parte de seus negócios depende do mercado interno. Mas, ainda assim, a natureza do PT é uma natureza operária e popular. Por quanto tempo? Não muito, se depender dos líderes petistas, principalmente os que estão no Governo. A reforma agrária parou. Dilma efetivou "concessões" de aeroportos. A universalização da banda larga foi entregue às famigeradas teles, a democratização da mídia é assunto proibido...
  
Quando foi que o Labor Party da Inglaterra deixou de ser um partido operário? Não tenho conhecimento suficiente da História da Inglaterra para responder. Mas ele nasceu como um legítimo partido operário, ligado aos sindicatos e ás lutas dos trabalhadores, e hoje é um partido burguês.

No caso do PT, desconfio que a elite não quer esperar o PT tornar-se um partido plenamente "confiável". Washington tem pressa, como eu disse. É vital para o Tio Sam que os governos centristas da América do Sul sejam tirados do poder, e rápido. A dívida dos EUA está em 110% do PIB deles. Eles precisam urgentemente sugar o petróleo e as riquezas do Cone Sul para tentar sair da crise.

Finalizando (caramba, o texto ficou grande. Peço desculpas), faço uma pergunta: para evitar o golpe é melhor o PT ficar pianinho, pianinho, tipo Odair Cunha? Ou será melhor contra-atacar? A História recente da América Latina pode nos dar uma pista. Manoel Zelaya, de Honduras, é homem moderado. Foi deposto por um golpe arquitetado com ajuda da CIA. Fernando Lugo é homem moderadíssimo. Foi deposto por um golpe, também com ajuda do Tio Sam. Presidente Chávez é homem mais radical (não tanto quanto eu gostaria) e o golpe contra ele foi derrotado, pois seu governo é alicerçado na organização popular, inclusive organização de setores das Forças Armadas.
  
Petistas como José Dirceu tinham a ilusão de que se o PT se tornasse um partido "normal", sem ligações mais fortes com os sindicatos, a elite e sua mídia aceitariam o partido no jogo político. Ah, a ilusão da esquerda sonhadora! Eles não entendem o conceito marxista de luta de classes... Dirceu e Genoino, que arriscaram sua vida em prol de um futuro melhor para o Brasil, foram linchados. Genoino, que até hoje mora no Jardim Ângela (no Jardim Ângela!!) foi condenado por corrupção. Quem não conhece o Jardim Ângela, se puder, vá conhecer. Mas não ande na rua após às 21:00 h, pois a PM paulista costuma fazer operações lá, do tipo "resistência seguida de morte". Enquanto isso, Serra, Daniel Dantas, Cachoeira e outros estão soltos, e morando em coberturas e mansões, bebendo vinho de R$ 5.000,00. Bra-ziu, ziu, ziu!

terça-feira, 6 de novembro de 2012

Medo impera na Tucanolância

Guerra civil em São Paulo



O estado de São Paulo está vivendo uma situação de guerra civil. Rompeu-se o hipotético acordo firmado entre Alckmin e Marcola no ano de 2006 (Alckmin, sempre hipoteticamente, foi até o presídio para se reunir com o chefe do PCC).

Era um hipotético acordo do tipo: “vocês não entram nos bairros ‘nobres’ e nós não atrapalhamos os ‘negócios’ de vocês”. Só que alguma coisa aconteceu. Não sei se os “negócios” do PCC estão decaindo e eles precisaram fazer assaltos em bairros nobres. Ou talvez a PM, inadvertidamente, tenha entrado em confronto com membros do PCC. O fato é que a guerra entre as duas organizações (PCC e PM) está violenta. O povo da periferia está no meio do fogo cruzado.

Alckmin, junto com a "justiça", planejou e executou a barbárie de Pinheirinho, expulsando milhares de famílias de suas casas para favorecer os interesses do mega-especulador Naji Nahas. Um governador que age assim é um governador que criminaliza a população pobre. É o que está ocorrendo agora. A PM invade e cerca favelas, mete o pé na porta das casas de famílias pobres, com a desculpa de que "quem protege bandido é bandido também". Ser pobre é crime. Fazer acordo (hipoteticamente) com o PCC não é.

Na PM paulista há a banda podre: soldados e oficiais que praticam corrupção e, além disso, são membros de grupos de extermínio, ou seja, matam pessoas por encomenda. Pode ser encomenda de uma quadrilha rival, de um comerciante que quer se livrar de moradores de rua, etc.

Essa banda podre pode ter iniciado a guerra. Neste caso, hipoteticamente, a guerra seria pelo controle do tráfico de drogas no estado de São Paulo.

O toque de recolher, imposto pelo crime organizado, impera nos bairros pobres. Um morador de Diadema (cidade vizinha à capital) me disse que seu filho, que estuda à noite, tem aulas apenas até às 20:00 h. Depois, a escola encerra o expediente, dispensando alunos e professores, para não desobedecer ao toque de recolher.

Toda manhã os portais da internet anunciam o saldo da madrugada: pessoas executadas, ônibus incendiados.

Sobre a violência em São Paulo, o jjornalista Rodrigo Vianna publicou artigo fundamental sobre da também jornalista Juliana Sada: http://www.rodrigovianna.com.br/plenos-poderes/foi-aberta-uma-guerra-entre-pm-e-pcc.html#comment-82016

Cadê o PT de São Paulo?

Se um fato como esse acontecesse, digamos, na Venezuela, rapidamente os militantes do PSUV (o partido do presidente Chávez) organizariam as populações das comunidades pobres para se proteger do toque de recolher e da violência policial. Rapidamente o exército seria mandado para a região de conflito, independente de algum governador de oposição se contrapor à medida.

Mas, no Brasil, o Governo Federal não governa o Brasil todo. Em São Paulo, por exemplo, temos um governo federal paralelo, o do PSDB. Enquanto o Ministério da Fazenda reduziu os impostos para a linha branca (fogão, geladeira e máquina de lavar) em 2008, Alckmin, NO MESMO MÊS, aumentou os impostos estaduais para esses produtos, visando neutralizar, no estado de SP, os efeitos positivos da medida federal. São Paulo é um país separado do Brasil.

O PT de São Paulo aceita esse governo federal paralelo dos tucanos e não se mete na política do estado. Fica quietinho em seu canto. Cadê os militantes do PT da periferia da capital? O que estão fazendo os deputados estaduais petistas? Não vale discurso em plenário. É preciso ação. É preciso que o PT se re-enraíze nos movimentos populares. É preciso que os deputados vão AGORA às comunidades pobres saber delas o que está, DE FATO, ocorrendo, para além do noticiário da Globo.

As bandeiras vermelhas agora só se agitam em época eleitoral. E não são militantes que as agitam, mas pessoas pagas por candidatos.

Se o PT não tomar cuidado, o STF culpará Dilma pela violência em São Paulo e cassará seu mandato com base nisso. Fernando Lugo que o diga. Ele foi cassado porque foi considerado culpado de um conflito entre policiais e camponeses numa cidadezinha no interior do Paraguai.


segunda-feira, 5 de novembro de 2012

A crise mundial e o golpe

"Nós somos aqueles
pelos quais estivemos esperando"


Às vésperas das últimas eleições, ao caminhar até o ponto de ônibus para dar minhas aulas, passando pelo prédio em construção que fica no meu trajeto, ouvi a conversa dos peões. Estavam animados com o próximo domingo. Mas não era com as eleições municipais. Era com o jogo de futebol, que iria decidir algum campeonato ou coisa que o valha. Falavam alto e com muita empolgação.

Imaginei o que aconteceria se eu fosse até a obra e os interpelasse sobre as eleições de domingo. É provável que um deles se espantasse:
- Eleição, domingo? Não tô nem sabendo. E é eleição pra quê? deputado ou presidente? Eu voto no Lula!
Talvez um outro respondesse:
- Ah, meu título não é daqui, não, é de Messejana, no Ceará. Então eu não voto.
- Há quanto tempo o senhor está aqui em São Paulo - perguntaria eu.
- Já vai pra 20 anos - responderia ele
- E o senhor nunca pensou em transferir seu título?
- Ah, não, isso dá trabalho, eu nem sei onde é que se faz essa transferência.

E veja-se que estamos falando apenas em eleições, e não em participação política em sindicatos, associações e partidos.

Pois bem, a elite prepara um golpe. O método será o mesmo aplicado em Honduras e no Paraguai, com algumas variações. A primeira fase - condenar Dirceu e Genoino - já foi completada. A segunda fase - cassar os direitos políticos de Lula - está se iniciando. A terceira fase é cassar o mandato de Dilma. A quarta e última fase é cassar o registro do PT, colocando-o na ilegalidade e proibindo-o, em consequência, de disputar eleições.

Quem pode barrar esse golpe somos nós. É preciso que a sociedade se organize, que fortaleçamos as organizações, sindicatos e movimentos.

A campanha de 2006 de Obama (cujo mandato resultou numa enorme - mas esperada - decepção, usou muito uma frase que o atual presidente disse em discurso: "nós somos aqueles pelos quais estivemos esperando". Descartemos Obama, o Fraco, mas fiquemos com sua frase. Nós é que podemos fazer a diferença. Se você quer saber quem pode lutar contra o golpe, basta olhar-se no espelho.

Se o golpe de estado tiver sucesso, será uma luta árdua. Mas uma luta que tem que ser empreendida. A direita aplicará, no Brasil, a mesma política econômica que os banqueiros e especuladores impuseram à Europa: corte de salários, fim de programas sociais, privataria, redução de impostos para os muito ricos (banqueiros e especuladores) e encolhimento do estado. O Brasil andará para trás. Cairemos, de 6ª economia mundial, de volta para 15ª, para onde fomos derrubados nos tempos de FHC.

Se a população não se levantar agora, pelo fato de sermos um país despolitizado, essa população terá que se levantar depois, quando o desastre econômico já tiver ocorrido. Ou seja, se não lutarmos pelos nossos direitos agora, teremos que lutar pelo pão amanhã.