Nova tentativa de golpe na Venezuela
Reproduzo comentário de Eliseu Leão neste post do Blog Cidadania:
Fonte: http://www.counterpunch.org/2013/04/12/thatcher-is-dead-long-live-chavez/
(…)
Embora haja uma espécie de vingança histórica no fato de que essa eleição se realize no dia do aniversário da volta triunfante de Chávez, não podemos deixar que o triunfalismo nos impeça de ver os abutres que voam sobre a democracia socialista da Venezuela. A imprensa-empresa internacional está mobilizada para desacreditar o sistema eleitoral venezuelano, e setores da oposição já começaram a manobrar, sugerindo que algo poderá acontecer.[8]
Na 2ª-feira à noite, circularam notícias de que um acampamento de
militantes da extrema direita, da JAVU (Juventude Ativa da Venezuela
Unida), que estão em greve de fome, teriam sido atacados por grupos de
‘camisas vermelhas’, em motocicletas, rapidamente ‘identificados’ como
“Chavistas”. Para muitos, a ‘armação’ é evidente, dado que os chavistas
nada teriam a ganhar com esse tipo de ação, às vésperas das eleições. E a
polícia de Chacao, controlada pela oposição, não interveio.[9]
Pelo que já se sabe, havia chavistas de Chacao[10] envolvidos no
tumulto, mas foram atacados por militantes da JAVU. O que explica,
automaticamente, o motivo pelo qual a polícia local nada fez para
interromper o ataque: por que intervir, se o seu próprio lado está
atacando?
Esse tipo de ataque exibe todas as características típicas de ações
da JAVU, organização que, ao mesmo tempo em que fala em nome da não
violência estratégica, como a Albert Einstein Institution, tem longo
passado de ações violentas (associada a um grupo de exilados, com base
em Miami, o grupo Orvex[11]). A JAVU sempre esteve associada a ataques
violentos, de provocação, em toda a Venezuela, desde ataque a chavistas
em Mérida, até uma tentativa de incendiar o Conselho Legislativo do
estado de Miranda. Em Mérida, encontrou-se um smartphone no qual estava
gravado o manual das ações da JAVU para os dias seguintes: não
reconhecer os resultados eleitorais e “tomar as ruas custe o que
custar”.[12]
Na 4ª-feira apareceram notícias ainda mais preocupantes. Primeiro, o
próprio Capriles recusou-se publicamente a assinar documento no qual
prometia respeitar os resultados das eleições,[13] insistindo que se
mudasse a redação, para categoria mais flexível: aceitaria assinar, se o
documento falasse de respeitar “o desejo popular”. Dado que Capriles já
assinara documento semelhante antes das eleições de 2012, é caso para
pensar por que teria mudado, agora, a própria estratégia. A recusa
preocupa, porque foi imediatamente associada ao texto divulgado de um
telefonema, no qual um dos guarda-costas pessoais de Capriles[14] diz
que o candidato da oposição não reconhecerá a derrota – fato que,
ironicamente, mostra que nem o guarda-costas de Capriles sonha com
vitória eleitoral.
Não há dúvidas de que tudo sugere fortemente que um governo Maduro
terá de enfrentar tentativa pós-eleitoral de golpe. Outro telefonema
também vazado sugere que há esquadrões da morte, vindos de El Salvador,
que planejam ataques durante a eleição, e que parecem ter laços diretos
com o próprio Capriles.[15] Foram presas 17 pessoas, acusadas de tentar
sabotar redes elétricas, para provocar blecautes. Se se considera que
até o governo Obama já disse que suspeita de que as eleições na
Venezuela não sejam “limpas e transparentes”, todos esses são sinais
preocupantes, para dizer o mínimo.
————[8] http://www.counterpunch.org/2012/09/28/the-election-that-matters/
[9] http://venezuelanalysis.com/news/8559
[10] http://www.youtube.com/watch?feature=player_embedded&v=SqZc8oAhwwA#%21
[11] http://laiguana.tv/noticias/2013/01/16/3361/JAVU-NO-RECONOCE-A-MADURO-PERO-QUE-ES-JAVU.html
[12] http://laiguana.tv/noticias/2013/04/10/4948/SE-ENCONTRARON-EN-MERIDA-TERRIBLES-DOCUMENTOS-DEL-NUEVO-PLAN-DE-JAVU.html
[13] http://venezuelanalysis.com/news/8563
[14] http://www.aporrea.org/actualidad/n226577.html
[15] http://venezuelanalysis.com/news/8575





