quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012

O deus-mercado está nos detalhes

Capitalistas acham que você é trouxa

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Depois de um longo intervalo - muitos clientes batendo à porta - este blog volta à ativa.

Durante minha estada em outra parte do Brasil, mais próximo do Equador, o calor reinante me fez querer tomar algum líquido para matar a sede. Foi então que peguei em minhas mãos uma lata de suco Tial.

Como sou vegetariano, sempre dou uma olhada nos ingredientes de tudo o que quero consumir. Você não imagina onde o capitalismo dá um jeito de colocar carne. Pois dito e feito: o suco de uva continha sangue de besouro. E não estou brincando. Estava lá escrito: "corante natural cochonilha".

Cochonilha é um tipo de besouro, que é primo em segundo grau das baratas. Veja como é esse inseto:

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É até bonito, azulado, parecendo um monstro alienígena. O sangue das cochonilhas é muito, muito vermelho. Na época do Império Romano era usado para tingir roupas.

E nos dias de hoje, o capitalismo usa o sangue do besouro para enganar você. Eles colocam menos suco de uva e mais água. Para compensar, espremem milhões  de cochonilhas e colocam seu sangue no suco para ficar com aparência de suco mais concentrado.

O capitalismo faz de tudo para enganar a população. Borrifam as plantações com venenos extremamente tóxicos, vendem a você telhas de amianto, que é cancerígeno. E, para completar, vendem um suco de uva com sangue de besouro.

Aí talvez alguém diga:
- Ah, mas lá nos ingredientes eles avisaram que o suco continha cochonilha.

Verdade, avisaram. Porque o governo obriga. E, mesmo assim, eles conseguiram mudar o regulamento de forma que agora podem colocar apenas "corante natural carmim", omitindo a palavra "cochonilha".

Por essas e outras é que a humanidade precisa, urgentemente, substituir o capitalismo por um outro sistema, mais justo e verdadeiro.

quinta-feira, 26 de janeiro de 2012

ilusões

O que é um prédio

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Prezado leitor. Alguém já lhe deve ter feito essa pergunta: você mora em casa ou apartamento? Ou uma, ou outra opção. Casa não é apartamento. Apartamento não é casa.

Na minha concepção, apartamento é uma ilusão. Quem tem apartamento não tem nada. Sinto dizê-lo secamente. Mas é a verdade. Um apartamento é um pedaço do ar. Se não houver um chão, se seu prédio for condenado, simplesmente você não tem nada.

Quem me alertou para isso foi um empresário libanês de sucesso.

A classe média cai facilmente nesse conto do vigário que é comprar um apartamento. Os ricos, não. Eles prezam seu dinheiro.

Se seu prédio for condenado (e um dia ele será, inevitavelmente), como é que você fica? Que garantias você tem que receberá o dinheiro suficiente para comprar outra moradia de mesmo nível?

Três prédios ruíram no Rio de Janeiro. No ano passado, um tinha desmoronado na região Nordeste. Em São Paulo, o chamado edifício Treme-Treme foi demolido, como parte da desavergonhada especulação imobiliária promovida pelo nobre prefeito Kassab.

O capitalismo, nos dias atuais, não se importa com a segurança das pessoas. O importante é vender os apartamentos. Depois... bem, boa sorte.

Por falta de manutenção preventiva, três prédios desmoronaram. Por falta de manutenção preventiva, parte de um viaduto desabou na cidade de São Paulo. E os técnicos alertam para o fato de que não há manutenção preventiva em pontes e viadutos na cidade. Os engenheiros só vão inspecionar o viaduto ou a ponto se há rachaduras e algum morador liga para a administração regional.


No capitalismo, em sua fase terminal, dezenas de milhares de pessoas morrem de fome TODOS OS DIAS. Se nem isso mobiliza as forças dos governos e empresários para agir, muito menos é motivo de preocupação deles a manutenção de prédios. As administradoras de condomínios só querem faturar.

Esse post é para que você avalie suas opções...

quarta-feira, 25 de janeiro de 2012

Judiciário de elite

Pinheirinho desnuda a Justiça


As rápidas decisões judiciais em favor do mega-especulador Naji Nahas mostram claramente que nosso judiciário precisa não de uma reforma, mas de uma reconstrução.

Enquanto nós, pobres mortais, temos que esperar 5 anos, 10 anos, às vezes 20 anos, por uma decisão judicial, Naji Nahas, Daniel Dantas e outros tem "facilidades" no trato com os nobres magistrados.

Recentemente, órgãos de corregedoria do judiciário, como o CNJ e o Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), mostraram que diversos nobres magistrados apresentaram "movimentações atípicas" em suas nobres contas bancárias.

Além disso, os nobres magistrados ficaram chateados porque seus nobres salários foram levados a público, embora de maneira genérica, sem citar nenhum nome. Os nobres magistrados se sentiram devassados em sua nobre intimidade.

Então o que dizer de milhares de pessoas escorraçadas de suas casas, à base de balas de borracha, bombas lançadas de helicópteros e surras? A intimidade dessas pessoas, suas vidas, suas casas, foram devassadas e destroçadas.

Policiais militares foram fotografados usando luvas de borracha e de armas em punho? Qual o motivo disso? Evitar que as impressões digitais dos PMs assassinos fiquem nas armas? Evitar vestígios de pólvora nas mãos?

Sobre o nobre governador Geraldo Alckmin (que pensa em se reeleger), posto aqui o áudio impactante do jornalista Ricardo Boechat, da Bandeirantes, que não pode ser acusado de esquerdista. Aliás, bem ao contrário. Veja a opinião dele sobre a tragédia de Pinheirinho.



Ricardo Boechat se posicionou claramente. Qual é a posição da presidenta Dilma? E de Serra? Marina? HH? Todos se esconderão sob o manto do silêncio?


terça-feira, 24 de janeiro de 2012

tempo de definição

Pinheirinho, Dilma e Alckmin



Neste domingo participei do ato público e passeata em favor dos moradores de Pinheirinho, comunidade pobre de S. José dos Campos, que foi expulsa de seus lares pela PM para restaurar a propriedade (bastante questionável) do mega-especulador Naji Nahas.

Naji Nahas deve mais de R$ 15 milhões à prefeitura de SJC. Mas o prefeito da cidade, do PSDB, não dá importância a isso. Afinal, ele é a favor do Estado mínimo. E da propriedade privada, a qualquer custo. Pouco importa se a Constituição diz que a propriedade deve ter, sempre, função social, e a esta função deve ser subordinada. Importa aos demotucanos defender a elite, contra os pobres.

A PM usou de muita violência na desocupação. Há fotos de soldados portando revólveres e usando luvas de borracha. Por que? Para não deixar impressões digitais nas armas ou resíduos de pólvora nas mãos? Não se sabe se ocorreram mortes, pois a imprensa é proibida de entrar no campo de concentração construído pela PM. Exceto a Globo, que a PM e o PSDB consideram "confiáveis", pois a emissora já tomou partido contra os moradores e a favor da desocupação.

Essa aberração que foi a expulsão de moradores ao estilo nazista ganhou repercussão internacional. Por exemplo, a revista "The Guardian", diz:
(…) Até sete mortes foram relatadas, incluindo a de um bebê, embora nenhuma delas tenha sido confirmada oficialmente (…) Durante todo o dia [ domingo], a mídia corporativa do Brasil, que tem ligações históricas com o partido no poder estadual, relatou a história em tons suaves. As manchetes destacavam a van de uma TV que fora incendiada enquanto ignoravam as casas em chamas da população (…) Em lugares como Irã e Egito, a mídia social tem funcionado como uma ferramenta contra o controle estatal da informação. No Brasil, tem ajudado a contornar um monolítico setor de mídia privada, que é sub-regulamentada e altamente concentrada (90% da indústria está nas mãos de 15 famílias). Como outros meios de produção e circulação de informação tornaram-se mais facilmente disponíveis, a mídia corporativa do país começou a perder credibilidade. Os meios alternativos foram veementes em sua condenação do Governo do Estado de São Paulo no último domingo, e com razão (…) - tradução do Eduardo Guimarães, do Blog Cidadania.
A justiça estadual se colocou contra a decisão da justiça federal, que concedeu liminar suspendendo a desocupação.

Essa tragédia inominável põe às claras quem é quem na radicalização. A justiça estadual, como mostrou o blog Tijolaço, desafiou até mesmo a Polícia Federal. O Tribunal de Justiça de São Paulo chegou a emitir ordem de enfrentamento à decisão da Justiça Federal que vigia, durante o dia,  para repelir “qualquer óbice que venha a surgir no curso da execução, inclusive a oposição de corporação policial federal”.

Alckmin foi o mentor de toda a operação, enquanto fingia negociar com deputados do PT e do PSOL e com o senador Eduardo Suplicy.

O Governo Federal falhou por omissão e tibieza. Deveria ter pressionado muito antes o governo do estado de SP. Ministros deveriam ter se pronunciado antes. Mas só agora, após o fato consumado, a Secretária de Direitos Humanos da Presidência da República, Maria do Rosário, lançou uma nota, assim como o Ministério das Cidades e outros órgãos federais. Mas lançar notas não devolve a moradia aos que foram jogados na rua com seus pertences.

O que vimos foi uma atitude nazista bem estruturada por parte dos demotucanos. Estavam articulados com juízes amigos, contaram com a PM de SP, uma das que mais mata em todo o Brasil. E o Governo Federal desarticulado, com parlamentares do PT tentando, por conta própria, fazer alguma coisa, mas o partido como um todo está alheio ao caso.

Recentemente a presidenta Dilma disse que as divergências entre os partidos existiam apenas em época eleitoral e que, passadas as eleições, todos estavam unidos e trabalhando harmoniosamente pelo bem do povo brasileiro.

Alguém precisa avisar a presidenta que a luta de classes existe e que o PSDB representa os banqueiros e especuladores de todas as laias.

Já que o Governo Federal falhou miseravelmente em defender os moradores de Pinheirinho ANTES que perdessem suas casas, construídas com muito sacrifício, então agora, pelo menos, há que se alocar verba emergencial para que eles tenham onde morar. Se há verba emergencial para tragédias provocadas pela Natureza, tem que haver também verba para tragédias causadas pela ganância dos Naji Nahas e de seus amigos no PSDB.

Se acontecer o pior e essa verba não vier, será porque o Governo Federal quer evitar "polemizar" com Alckmin. E se assim for, saberemos que o PT deu mais um passo em sua trajetória para a direita.


segunda-feira, 16 de janeiro de 2012

Capitalismo

Fukuyama tem discípulos

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Yoshihiro Francis Fukuyama é um economista neoliberal estadunidense. Por neoliberal entenda-se aquela doutrina econômica e política que propõe que o Estado seja tão pequeno "que possamos afogá-lo numa banheira" (frase de um assessor de Ronald Reagan). Fukuyama escreveu um livro chamado "O Fim da História e o Último Homem", no qual ele decreta que a História humana chegou ao fim e que o capitalismo é esse fim. O capitalismo seria, portanto, eterno.

Os defensores do capitalismo, à direita e à esquerda, no fundo concordam todos com Francis Fukuyama, de que a História chegou ao fim. Eles dizem que o capitalismo "se reinventa". Ora, no mundo real, nada é eterno. Assim como a humanidade evoluiu da caça para a agricultura primitiva, desta para o feudalismo e deste para o capitalismo, é óbvio que continuaremos a evoluir. Essa é a ordem natural das coisas.

Quanto à tal capacidade do capitalismo se "reinventar", isso é uma bobagem. O capitalismo se maquia, se esconde, finge não estar lá. Mas é como uma criança pequena que, ao se esconder debaixo da mesa, acha que ninguém a está vendo.

Os defensores do capitalismo dizem que o socialismo foi derrotado, que acabou. Mas o que ruiu no final do século 20 não foi o socialismo, mas o stalinismo, uma caricatura macabra do socialismo.

A propensão do ser humano para a troca é bem anterior ao capitalismo. E continuará depois dele. O socialismo (ou outro nome que se queira dar a ele) também será uma sociedade mercantil. Porém, o socialismo estimula igualmente o lado solidário do ser humano, coisa que o capitalismo não faz. Do contrário não morreriam milhares de crianças no mundo, pela fome, TODOS OS DIAS.

Aliás, lembremo-nos da frase de Fidel: "Esta noite, milhões de crianças dormirão na rua. Nenhuma delas é cubana". Embora o socialismo de Cuba padeça de vícios de origem, temos que reconhecer seus méritos. Só para citar um outro pequenino exemplo: um cubano lê, em média, dois livros por mês.

Este artigo teve duas motivações: um é o artigo do economista tucano Pérsio Arida (um dos citados na Oparação Satyagraha). Na peça citada, Arida diz que o aumento do salário mínimo prejudica os trabalhadores (!!). A segunda motivação foi a declaração da Presidenta Dilma de que as divergências entre o PT e o PSDB são apenas eleitorais (!!) e que, passadas as eleições, há uma concordância entre todos, geral e irrestrita entre todos os partidos. Aliás, essa declaração insensata merecerá um artigo deste leigo metido a analista político.

Há uma terceira motivação para este artigo: o jornal de negócios Financial Times publicou matéria na qual critica os que querem eliminar a palavra "capitalismo" do vocabulário político-econômico.

Qual seria a motivação destes ideólogos que ficam incomodados com essa palavra? Quereriam eles fazer parecer que o capitalismo é o sistema "natural" de organização econômica e que, portanto, não precisa de um nome específico? Estariam eles tentando evitar que o capitalismo seja alvo da revolta de cada vez mais seres humanos, inclusive nos EUA?

Seja como for, achei autêntica e corajosa a posição do Financial Times de não querer eliminar o nome "capitalismo". Chamemos as coisas pelo seu nome. Não tentemos maquiá-las para iludir os incautos.

Quem for capitalista, que defenda sua "raça".

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Adendo:

Fukuyama renega Fukuyama

Assim que postei o artigo, vi no Observatório da Imprensa, que Francis Fukuyama imitou FHC e desdisse tudo o que escreveu. 

Agora, Fukuyama simplesmente afirma que o liberalismo econômico representa um perigo para a democracia. Defende explicitamente a volta de “uma maior regulação estatal e políticas sociais que preservem os ganhos da classe média e encorajem a ascensão dos pobres para a classe média”.

Bem, agora esperemos que todos os jornais e revistas que o endeusaram antes, quando ele era neoliberal, deem o mesmo destaque às suas novas teses. Aliás, pensando bem, isso não acontecerá. Fukuyama será descartado como copo plástico usado.

quinta-feira, 12 de janeiro de 2012

Churrascão na Luz

Churrascão de protesto na Luz

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Reproduzo aqui o convite feito pelo Coletivo Desenterpecendo a Razão


Churrascão de protesto na Luz

Do Coletivo Dar, no blog Viomundo:

Chega de dor e sofrimento na Luz!

Churrascão diferenciado versão Luz: porque na "cracolândia" todo mundo é gente como a gente.

Neste sábado, venha mostrar para o governo que sua polícia não é bem-vinda em nossas ruas.

Sem oferecer alternativas decentes aos dependentes e sem respeitar os direitos humanos deles e dos outros usuários, trabalhadores e freqüentadores da região da Luz, o governo paulista vem ocupando militarmente, desde o dia 3 de janeiro, a zona conhecida como "cracolândia".

Higienismo, preconceito, segregação, violência, intolerância, tortura, abuso de autoridade e mesmo suspeitas de assassinato passaram a ser ainda mais constantes nos dias e principalmente nas madrugadas do bairro.

Luiz Alberto Chaves de Oliveira, coordenador de Políticas sobre Drogas do governo, defendeu que a operação teria como objetivo trazer "dor e sofrimento" para os dependentes, forçando-os a buscar tratamento. Fica claro, no entanto, que os seres humanos que ali freqüentam ou vivem são a última preocupação de nossos governantes, que sabem muito bem que questões de saúde nunca poderão ser resolvidas por uma das polícias mais assassinas do mundo .

O objetivo da dor e do sofrimento é meramente expulsar aquelas pessoas dali para que o projeto da "Nova Luz", que prevê demolição de um terço das construções da região e reconstrução do espaço com vistas ao lucro da especulação imobiliária, possa ser implementado.

Em reação a isso, dezenas de coletivos, grupos e entidades organizaram para este sábado mais um "churrascão diferenciado", tipo de mobilização que ficou marcada na cidade como forma de combater, de forma bem humorada e crítica, o preconceito e o racismo dos políticos e das elites paulistanas. Traga seus instrumentos, cartazes, idéias, alimentos e o que mais achar necessário para tornar agradável este sábado de protesto e diálogo em defesa de políticas corretas, respeitosas e abrangentes em relação à população de rua (ou em situação de rua) e aos usuários e dependentes de drogas.

Quando: Sábado, 14/01, às 16h!

Onde: Rua Helvétia com Dino Bueno, São Paulo

Lista de Furnas

Perícia da PF conclui que a
lista de Furnas é autêntica

Reproduzo abaixo os dados que integram os arquivos do blog Amigos do Presidente Lula sobre a lista de Furnas.

Nesta semana, um fato novo ocorreu em relação a esta lista. Os delegados da Polícia Federal Praxedes e Zamprogna (o do mensalão) concluíram a perícia sobre a Lista, atestaram a autenticidade dela e, com uma relação de ilustres indiciados, encaminharam tudo ao MPF. A bomba está nas mãos da Procuradora Andrea Bayão, do Min. Público Federal do Rio, onde fica a sede de Furnas.
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CAIXA DOIS TUCANO DE FURNAS 

Relação completa de todos os polítcos que fizeram campanha usando caixa dois de FURNAS.

TUCANODUTO?

*Quem é quem e quem recebeu quanto na lista do caixa dois de Furnas * 

A "Lista de Furnas" 

- documento sobre um suposto esquema de caixa dois nas eleições de 2002, cuja autenticidade está sob investigação da Polícia Federal - é essencialmente uma lista tucana. 

Confira nos gráficos abaixo. 




Os candidatos do PSDB teriam ficado com mais de dois terços (68,3%) dos R$39,9 milhões que teriam sido distribuidos a 156 políticos por empresas fornecedoras da última grande estatal do ramo elétrico. O PFL fica com um segundo lugar bem distante, 9,3%.

Mas, segundo a "Lista", o dinheiro do PSDB não teria sido distribuido por igual. O grosso foi para três candidatos, que disputavam os três cargos mais importantes do esquema eleitoral tucano em 2002: José Serra, que pleiteava a Presidência, Geraldo Alckmin, candidato a governador de São Paulo, e Aécio Neves, que concorreu ao governo de Minas. Os três, conforme a "Lista", triam ficado com mais da metade do dinheiro do esquema de Furnas. Os demais 153 políticos que constam na "Lista" teriam dividido os 45,4% que restaram.

*A filiação partidária dos 156*

O PSDB também é o primeiro colocado em número de políticos entre os 156 citados no esquema que seria operado pelo então presidente de Furnas, Dimas Toledo, levado ao cargo pelo ex-presidente Fernando Henrique Cardoso. São 47 tucanos na lista, cinco deles candidatos a cargos majoritários. O PFL comparece com 33 candidatos, apenas um a cargo majoritário (senador).

Veja adistribuição:

Outro modo interessante de ler o documento em exame na PF é comparar os nomes que constam ali com a relação dos membros da CPI dos Correios, que desde junho do ano passado investiga as denúncias de corrupção no Parlamento.


O primeiro destaque é para o deputado ACM Neto (PFL-BA), que tem se salientado pela estridência de seu desempenho na comissão. Ele teria recebido R$ 75 mil do esquema de Furnas. Quanto ao PSDB, constam da "Lista" três dos seus quatro deputados que são titulares ou suplentes da CPI. Figuram também entre os 156 um membro da CPI dos Correios pertencente ao PL e dois dos quadros do PTB.
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PROVAS DOCUMENTAIS DO CAIXA DOIS TUCANO DE FURNAS


DOCUMENTO Nº DOIS


DOCUMENTO Nº TRÊS


DOCUMENTO Nº QUATRO

DOCUMENTO Nº CINCO


DOCUMENTO Nº SEIS


DOCUMENTO Nº SETE




terça-feira, 10 de janeiro de 2012

A crise sistêmica

Rumo ao desastre, com determinação



Hoje, pela manhã, estava ouvindo as notícias no rádio. Ao comentar sobre a crise econômica, o jornalista Ricardo Boechat disse que ele, mesmo sendo leigo em economia, tinha uma intuição de que o ano de 2012 seria melhor para a Europa do que 2011. Considerou que não acredita que haverá a piora que alguns economistas estão prevendo.

E ele explicou porque está otimista com a situação econômica da Europa. Citou, basicamente, dois motivos que alimentam suas esperanças: o primeiro é que a resistência dos povos europeus contra as medidas de austeridade parecem estar arrefecendo, diminuindo de intensidade. A segunda é que os dirigentes dos países europeus estavam sendo trocados. Estavam saindo os que Boechat disse que haviam feito uma "farra" e entrando dirigentes comprometidos com essas mesmas medidas de austeridade citadas antes. Daí o otimismo dele, Boechat.

Ao ouvirmos opiniões como essa na velha mídia, nos damos conta de que nossos jornalistas, em sua maioria, não tem a menor ideia do que está acontecendo e das causas da crise, assim como a maioria dos economistas. Sou leigo também, mas não sou tolo. Como diz Mino Carta, é do conhecimento até do mundo mineral que as causas da crise são justamente os parâmetros neoliberais que estabelecem a tal "austeridade". E que justamente esses parâmetros são A CAUSA da crise. Senão vejamos:

O neoliberalismo propõe que o Estado se encolha tanto "a ponto de podermos afogá-lo numa banheira". Propõe redução de impostos para os muito ricos e eliminação de direitos trabalhistas. Ah, sim, e a extinção de programas sociais de governos. Claro, tudo isso maquiado com palavras doces, às quais precisamos aplicar a TECLA SAP:

"austeridade" => TECLA SAP => eliminação de investimentos sociais
Esses investimentos são chamados de "gastos" pelo FMI.

"flexibilização de leis trabalhistas"  => TECLA SAP => eliminação de direitos trabalhistas

"medidas prudenciais"  => TECLA SAP => aumento de juros

"estado mínimo"  => TECLA SAP => desmantelamento do estado e entrega, a preços vis, de patrimônio público a empresas privadas. Em geral, os entreguistas levam "um por fora", como mostrou o livro "A Privataria Tucana".

Então, se for verdade mesmo que os movimentos sociais de resistência da população estão arrefecendo na Europa, é motivo para nos preocuparmos, e não para ficarmos otimistas como o sr. Boechat. Esses movimentos são a única esperança de que a recessão não se instalará na Europa.

Quanto aos mandatários novos da Itália, Espanha, Grécia, etc, eles são apenas bonecos de ventríloquo do FMI. A depender deles, a solução para a crise é a fome, a miséria e o desemprego para as populações de seus países, a fim de garantir o dinheiro dos rentistas (banqueiros e especuladores).

Assim como o sr. Boechat, também estou otimista com o futuro. Mas meus motivos são opostos aos dele. A crise do capitalismo será tão forte, tão intensa, que inevitavelmente levará a que amplas camadas da população tomem consciência de que estão sendo roubadas. Como diz o movimento Occupy (que, aliás, se fortalece a cada dia), nós somos os 99%. Eles são 1%. Eles não tem o direito de levar o mundo à miséria para preservar seus privilégios.